Remédios para bexiga hiperativa: quais são e como funcionam?


Urgência para urinar, aumento da frequência urinária, necessidade de acordar várias vezes durante a noite e até perda de urina antes de chegar ao banheiro podem fazer parte da síndrome da bexiga hiperativa.
Quando mudanças comportamentais e outras medidas iniciais não são suficientes, o tratamento medicamentoso da bexiga hiperativa pode ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Existem atualmente duas grandes classes de medicamentos utilizadas com essa finalidade: os antimuscarínicos e os agonistas beta-3 adrenérgicos.
Mas eles não funcionam exatamente da mesma forma e a escolha deve levar em consideração os sintomas, idade, outras doenças, medicamentos em uso e possíveis efeitos adversos.
O que é bexiga hiperativa?
A bexiga hiperativa é caracterizada principalmente pela presença de urgência urinária: uma vontade súbita e difícil de adiar de urinar.
Ela pode estar acompanhada de:
aumento da frequência urinária;
necessidade de acordar durante a noite para urinar;
perda de urina associada à urgência;
dificuldade para chegar ao banheiro a tempo.
É importante lembrar que esses sintomas não significam automaticamente bexiga hiperativa.
Infecção urinária, alterações prostáticas, cálculos, doenças neurológicas e outros problemas também podem produzir sintomas semelhantes.
Por isso, a avaliação adequada deve preceder o início do tratamento.
Quais medicamentos são usados para tratar a bexiga hiperativa?
Os principais medicamentos utilizados atualmente pertencem a duas classes:
1. Antimuscarínicos
Os antimuscarínicos atuam bloqueando receptores envolvidos na contração involuntária da bexiga.
Entre os medicamentos dessa classe estão:
oxibutinina;
tolterodina;
solifenacina;
darifenacina;
fesoterodina;
trospium.
O objetivo é reduzir a urgência, a frequência urinária e os episódios de incontinência por urgência.
Quais são os possíveis efeitos colaterais?
Como os receptores muscarínicos estão presentes em diferentes partes do organismo, podem ocorrer efeitos adversos como:
boca seca;
constipação intestinal;
visão borrada;
dificuldade de esvaziamento da bexiga;
outros efeitos anticolinérgicos.
A escolha do medicamento deve ser individualizada, principalmente em pacientes idosos ou que já utilizam diversos medicamentos.
2. Agonistas beta-3 adrenérgicos
Outra opção são os agonistas beta-3, que atuam favorecendo o relaxamento do músculo da bexiga durante a fase de armazenamento da urina.
Um dos medicamentos mais conhecidos dessa classe é a mirabegrona.
Essa classe pode ser particularmente interessante quando existe intolerância aos efeitos antimuscarínicos ou quando o perfil clínico do paciente favorece sua utilização.
Também existem cuidados específicos relacionados às condições clínicas e aos medicamentos utilizados pelo paciente, motivo pelo qual a indicação deve ser individualizada.
Antimuscarínico ou beta-3: qual é melhor?
Não existe um medicamento universalmente melhor para todos os pacientes com bexiga hiperativa.
A escolha depende de vários fatores:
intensidade dos sintomas;
idade;
presença de constipação;
capacidade de esvaziamento da bexiga;
doenças associadas;
medicamentos já utilizados;
possíveis efeitos adversos;
resposta aos tratamentos anteriores.
Em alguns pacientes, pode ser necessária a troca de medicamento ou até a combinação de diferentes estratégias.
Quanto tempo demora para o medicamento fazer efeito?

A resposta não deve ser avaliada apenas após alguns dias de tratamento.
A melhora pode ocorrer progressivamente, e é importante avaliar não apenas se o paciente ainda apresenta urgência, mas também:
quantas vezes está urinando;
quantos episódios de urgência apresenta;
presença de perda urinária;
necessidade de acordar à noite;
impacto dos sintomas na rotina.
O diário miccional pode ser útil para comparar os sintomas antes e depois do início do tratamento.
O medicamento precisa ser usado para sempre?
Não necessariamente.
A duração depende da resposta ao tratamento, da causa dos sintomas e da evolução clínica.
Alguns pacientes conseguem manter bom controle após determinado período, enquanto outros apresentam recorrência dos sintomas quando interrompem a medicação.
Por isso, a necessidade de manutenção deve ser reavaliada individualmente.
E quando os medicamentos não funcionam?
A ausência de resposta não significa que o paciente precise simplesmente conviver com os sintomas.
Antes de considerar o tratamento como falho, é importante verificar:
se o diagnóstico está correto;
se o medicamento foi utilizado adequadamente;
se houve tempo suficiente para avaliação;
se existe dificuldade de esvaziamento da bexiga;
se há alguma outra doença associada.
Em determinados casos, pode ser indicada uma investigação mais detalhada com estudo urodinâmico.
Quando a bexiga hiperativa permanece sintomática apesar do tratamento inicial, existem outras opções terapêuticas, como:
toxina botulínica na bexiga;
neuromodulação sacral;
outras estratégias individualizadas conforme o funcionamento da bexiga.
Bexiga hiperativa não deve ser tratada apenas pela urgência
A escolha do tratamento depende de entender como a bexiga está funcionando e excluir outras causas para os sintomas.
Pacientes com urgência urinária persistente, perda de urina, aumento importante da frequência ou falha aos medicamentos podem necessitar de uma avaliação mais detalhada.
O tratamento da bexiga hiperativa deve ser individualizado, buscando controlar os sintomas sem comprometer o esvaziamento da bexiga ou provocar efeitos adversos desnecessários.
Quando procurar um urologista?

Procure avaliação quando a urgência urinária, frequência aumentada ou perda de urina começam a interferir no trabalho, no sono, nas atividades físicas ou na vida social.
Também é importante investigar quando os sintomas persistem apesar do uso de medicamentos ou quando existe dificuldade para esvaziar a bexiga.




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