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Remédios para bexiga hiperativa: quais são e como funcionam?

Foto do escritor: Dr Magnum Pereira
Dr Magnum Pereira
19 de set.
3 min de leitura

Urgência para urinar, aumento da frequência urinária, necessidade de acordar várias vezes durante a noite e até perda de urina antes de chegar ao banheiro podem fazer parte da síndrome da bexiga hiperativa.

Quando mudanças comportamentais e outras medidas iniciais não são suficientes, o tratamento medicamentoso da bexiga hiperativa pode ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Existem atualmente duas grandes classes de medicamentos utilizadas com essa finalidade: os antimuscarínicos e os agonistas beta-3 adrenérgicos.

Mas eles não funcionam exatamente da mesma forma e a escolha deve levar em consideração os sintomas, idade, outras doenças, medicamentos em uso e possíveis efeitos adversos.



A bexiga hiperativa é caracterizada principalmente pela presença de urgência urinária: uma vontade súbita e difícil de adiar de urinar.

Ela pode estar acompanhada de:

  • aumento da frequência urinária;

  • necessidade de acordar durante a noite para urinar;

  • perda de urina associada à urgência;

  • dificuldade para chegar ao banheiro a tempo.

É importante lembrar que esses sintomas não significam automaticamente bexiga hiperativa.

Infecção urinária, alterações prostáticas, cálculos, doenças neurológicas e outros problemas também podem produzir sintomas semelhantes.

Por isso, a avaliação adequada deve preceder o início do tratamento.


Quais medicamentos são usados para tratar a bexiga hiperativa?


Os principais medicamentos utilizados atualmente pertencem a duas classes:

1. Antimuscarínicos

Os antimuscarínicos atuam bloqueando receptores envolvidos na contração involuntária da bexiga.

Entre os medicamentos dessa classe estão:

  • oxibutinina;

  • tolterodina;

  • solifenacina;

  • darifenacina;

  • fesoterodina;

  • trospium.

O objetivo é reduzir a urgência, a frequência urinária e os episódios de incontinência por urgência.


Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Como os receptores muscarínicos estão presentes em diferentes partes do organismo, podem ocorrer efeitos adversos como:

  • boca seca;

  • constipação intestinal;

  • visão borrada;

  • dificuldade de esvaziamento da bexiga;

  • outros efeitos anticolinérgicos.

A escolha do medicamento deve ser individualizada, principalmente em pacientes idosos ou que já utilizam diversos medicamentos.


2. Agonistas beta-3 adrenérgicos


Outra opção são os agonistas beta-3, que atuam favorecendo o relaxamento do músculo da bexiga durante a fase de armazenamento da urina.

Um dos medicamentos mais conhecidos dessa classe é a mirabegrona.

Essa classe pode ser particularmente interessante quando existe intolerância aos efeitos antimuscarínicos ou quando o perfil clínico do paciente favorece sua utilização.

Também existem cuidados específicos relacionados às condições clínicas e aos medicamentos utilizados pelo paciente, motivo pelo qual a indicação deve ser individualizada.


Antimuscarínico ou beta-3: qual é melhor?


Não existe um medicamento universalmente melhor para todos os pacientes com bexiga hiperativa.

A escolha depende de vários fatores:

  • intensidade dos sintomas;

  • idade;

  • presença de constipação;

  • capacidade de esvaziamento da bexiga;

  • doenças associadas;

  • medicamentos já utilizados;

  • possíveis efeitos adversos;

  • resposta aos tratamentos anteriores.

Em alguns pacientes, pode ser necessária a troca de medicamento ou até a combinação de diferentes estratégias.


Quanto tempo demora para o medicamento fazer efeito?



A resposta não deve ser avaliada apenas após alguns dias de tratamento.

A melhora pode ocorrer progressivamente, e é importante avaliar não apenas se o paciente ainda apresenta urgência, mas também:

  • quantas vezes está urinando;

  • quantos episódios de urgência apresenta;

  • presença de perda urinária;

  • necessidade de acordar à noite;

  • impacto dos sintomas na rotina.

O diário miccional pode ser útil para comparar os sintomas antes e depois do início do tratamento.


O medicamento precisa ser usado para sempre?



Não necessariamente.

A duração depende da resposta ao tratamento, da causa dos sintomas e da evolução clínica.

Alguns pacientes conseguem manter bom controle após determinado período, enquanto outros apresentam recorrência dos sintomas quando interrompem a medicação.

Por isso, a necessidade de manutenção deve ser reavaliada individualmente.


E quando os medicamentos não funcionam?


A ausência de resposta não significa que o paciente precise simplesmente conviver com os sintomas.

Antes de considerar o tratamento como falho, é importante verificar:

  • se o diagnóstico está correto;

  • se o medicamento foi utilizado adequadamente;

  • se houve tempo suficiente para avaliação;

  • se existe dificuldade de esvaziamento da bexiga;

  • se há alguma outra doença associada.

Em determinados casos, pode ser indicada uma investigação mais detalhada com estudo urodinâmico.

Quando a bexiga hiperativa permanece sintomática apesar do tratamento inicial, existem outras opções terapêuticas, como:

  • toxina botulínica na bexiga;

  • neuromodulação sacral;

  • outras estratégias individualizadas conforme o funcionamento da bexiga.


Bexiga hiperativa não deve ser tratada apenas pela urgência


A escolha do tratamento depende de entender como a bexiga está funcionando e excluir outras causas para os sintomas.

Pacientes com urgência urinária persistente, perda de urina, aumento importante da frequência ou falha aos medicamentos podem necessitar de uma avaliação mais detalhada.

O tratamento da bexiga hiperativa deve ser individualizado, buscando controlar os sintomas sem comprometer o esvaziamento da bexiga ou provocar efeitos adversos desnecessários.


Quando procurar um urologista?



Procure avaliação quando a urgência urinária, frequência aumentada ou perda de urina começam a interferir no trabalho, no sono, nas atividades físicas ou na vida social.

Também é importante investigar quando os sintomas persistem apesar do uso de medicamentos ou quando existe dificuldade para esvaziar a bexiga.



 
 
 

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