Fisioterapia pélvica e TENS na bexiga hiperativa: como funcionam?


A vontade súbita de urinar, a necessidade de ir muitas vezes ao banheiro e a perda de urina antes de chegar ao toalete podem fazer parte da bexiga hiperativa
Embora os medicamentos sejam uma das possibilidades de tratamento, nem todo paciente precisa começar por eles. Em muitos casos, diferentes estratégias podem ser combinadas de acordo com os sintomas e com o funcionamento da bexiga.
A fisioterapia pélvica, o treinamento vesical e técnicas de estimulação elétrica, como a TENS, podem fazer parte do tratamento de pacientes selecionados.
O que é bexiga hiperativa?
A síndrome da bexiga hiperativa é caracterizada principalmente pela urgência urinária, uma vontade súbita e difícil de adiar de urinar.
Ela pode estar associada a:
aumento da frequência urinária;
necessidade de acordar à noite para urinar;
perda de urina associada à urgência;
dificuldade para chegar ao banheiro a tempo.
Esses sintomas fazem parte do espectro das disfunções miccionais, mas não significam automaticamente que o paciente tenha bexiga hiperativa.
Infecção urinária, alterações do esvaziamento da bexiga, doenças neurológicas e até condições como a síndrome da bexiga dolorosa podem apresentar alguns sintomas semelhantes.
Como a fisioterapia pélvica pode ajudar?
A fisioterapia pélvica não se resume a exercícios de fortalecimento.
Dependendo da avaliação, o tratamento pode envolver:
treinamento dos músculos do assoalho pélvico;
técnicas para controle da urgência;
treinamento vesical;
adequação dos hábitos miccionais;
orientação sobre ingestão de líquidos;
exercícios de coordenação muscular;
biofeedback;
eletroestimulação ou TENS.
Nas mulheres, essa avaliação também pode fazer parte de uma abordagem mais ampla em Urologia Feminina, especialmente quando existem incontinência, prolapsos ou alterações do assoalho pélvico associadas.
Por que contrair o assoalho pélvico pode ajudar a controlar a urgência?
Quando surge uma vontade intensa de urinar, determinadas técnicas utilizam contrações rápidas e coordenadas do assoalho pélvico para auxiliar na supressão temporária da urgência.
O objetivo não é simplesmente “segurar a urina com força”.
O paciente aprende a reduzir o estímulo de urgência e aumentar progressivamente o controle sobre o momento da micção.
O que é treinamento vesical?
O treinamento vesical procura modificar gradualmente o comportamento miccional.
O paciente pode aprender a:
registrar os horários das micções;
identificar episódios de urgência;
utilizar técnicas para controlar a vontade súbita;
aumentar progressivamente os intervalos entre as micções;
acompanhar sua evolução através de um diário miccional.
Em pacientes com sintomas mais complexos ou resposta inadequada ao tratamento, pode ser necessário avaliar o funcionamento da bexiga através da urodinâmica.
O que é TENS?

TENS significa Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation, ou estimulação elétrica nervosa transcutânea.
A técnica utiliza eletrodos posicionados sobre a pele para produzir estímulos elétricos de baixa intensidade.
Na urologia, determinados protocolos podem modular vias nervosas envolvidas no armazenamento e no esvaziamento da urina.
Como a TENS é utilizada para bexiga hiperativa?
Uma das estratégias utiliza estimulação de vias relacionadas ao nervo tibial, que compartilha raízes nervosas com circuitos envolvidos no controle da bexiga.
Dependendo do protocolo, os eletrodos são posicionados em regiões específicas e conectados a um aparelho de estimulação.
O paciente normalmente percebe uma sensação de formigamento ou pulsação.
A TENS pode fazer parte do tratamento conservador, mas não substitui automaticamente outras alternativas.
TENS e neuromodulação sacral são a mesma coisa?
Não.
A TENS é uma técnica transcutânea e não invasiva.
Já a neuromodulação sacral utiliza um eletrodo posicionado próximo aos nervos sacrais para modular diretamente os circuitos envolvidos no funcionamento da bexiga.
A neuromodulação costuma ser considerada em pacientes selecionados, especialmente quando os sintomas persistem apesar das terapias iniciais.
Fisioterapia ou medicamento: qual escolher?
Não existe uma única estratégia adequada para todos.
Em muitos pacientes, medidas comportamentais e fisioterapia podem ser utilizadas inicialmente. Outros precisam associar medicamentos.
Os principais fármacos utilizados pertencem às classes dos antimuscarínicos e dos agonistas beta-3, tema abordado em detalhes no artigo sobre medicamentos para bexiga hiperativa.
Fisioterapia e medicamentos também podem ser combinados.
E se fisioterapia e medicamentos não funcionarem?
Quando os sintomas persistem, é importante revisar o diagnóstico e avaliar se existe outra alteração da função vesical.
Pacientes com doenças neurológicas, por exemplo, podem apresentar alterações específicas do armazenamento e esvaziamento, como ocorre na bexiga neurogênica.
Para pacientes com bexiga hiperativa refratária, outras opções podem incluir:
aplicação de toxina botulínica na bexiga;
estimulação do nervo tibial;
neuromodulação sacral;
outras estratégias individualizadas.
A fisioterapia do assoalho pélvico serve para todos?
Não necessariamente.
Alguns pacientes apresentam fraqueza muscular. Outros apresentam musculatura excessivamente contraída ou dolorosa.
Nesses casos, simplesmente recomendar exercícios de fortalecimento pode ser inadequado.
Por isso, o tratamento deve ser escolhido de acordo com a avaliação individual.

Quando procurar avaliação?
Urgência urinária persistente, aumento importante da frequência, noctúria ou perda de urina não devem ser encarados automaticamente como parte normal do envelhecimento.
Também é importante excluir causas como infecção urinária recorrente, principalmente quando existem ardência, dor ou episódios que aparecem de forma súbita.
Uma avaliação adequada permite definir se o tratamento deve incluir treinamento vesical, fisioterapia pélvica, TENS, medicamentos ou terapias mais avançadas.
O tratamento da bexiga hiperativa costuma funcionar melhor quando é construído de acordo com o funcionamento da bexiga e com as características de cada paciente.




Comentários