Fisioterapia pélvica para incontinência urinária masculina: quando pode ajudar?

Perder urina ao tossir, caminhar, levantar peso, mudar de posição ou realizar atividade física é uma situação que pode ocorrer em alguns homens, principalmente após determinados tratamentos da próstata.
Uma das primeiras estratégias utilizadas em muitos desses casos é a fisioterapia do assoalho pélvico.
Mas existe uma dúvida importante:
até que ponto a fisioterapia pode ajudar e quando é necessário investigar outras possibilidades de tratamento?
A resposta depende da causa da perda urinária, da intensidade da incontinência e do funcionamento do esfíncter urinário.

Por que alguns homens apresentam perda de urina após cirurgia da próstata?
O controle da urina depende de diferentes estruturas trabalhando de forma coordenada.
Entre elas estão a bexiga, a uretra, o esfíncter urinário e os músculos do assoalho pélvico.
Após determinados procedimentos prostáticos, principalmente a prostatectomia radical realizada para tratamento do câncer de próstata, alguns pacientes podem apresentar redução temporária ou persistente do controle urinário.
A manifestação mais comum é a chamada incontinência urinária de esforço masculina, na qual ocorre perda de urina quando existe aumento da pressão abdominal.
Isso pode acontecer ao:
tossir ou espirrar;
levantar-se de uma cadeira;
caminhar;
subir escadas;
realizar exercícios;
carregar peso.
Se quiser entender melhor as causas e possibilidades de tratamento, veja também a página sobre incontinência urinária masculina.
O que é a fisioterapia do assoalho pélvico?
O assoalho pélvico é formado por músculos que participam, entre outras funções, do mecanismo de continência urinária.
A fisioterapia pélvica busca melhorar o reconhecimento, a coordenação e o recrutamento adequado desses músculos.
O tratamento não deve ser resumido apenas a “fazer exercícios de Kegel”.
Uma avaliação fisioterapêutica adequada pode analisar:
capacidade de identificar corretamente os músculos do assoalho pélvico;
força muscular;
resistência;
coordenação;
capacidade de contrair o assoalho pélvico durante esforços;
hábitos urinários;
padrão respiratório e abdominal.
A partir dessa avaliação, o programa pode ser individualizado.
Como a fisioterapia pélvica para incontinência urinária masculina pode ajudar?

Sim.
A fisioterapia pélvica para incontinência urinária masculina pode fazer parte da recuperação do controle urinário, especialmente após cirurgias da próstata.
Especialmente nos primeiros meses após a cirurgia, a reabilitação do assoalho pélvico pode fazer parte do processo de recuperação da continência urinária.
O objetivo é ajudar o paciente a utilizar de forma mais eficiente os mecanismos musculares que participam do controle da urina.
Em muitos pacientes ocorre melhora progressiva ao longo dos meses.
Entretanto, a velocidade e o grau de recuperação são diferentes para cada pessoa.
Alguns pacientes recuperam completamente a continência.
Outros permanecem com pequenas perdas.
E existe um grupo que continua apresentando incontinência urinária relevante mesmo após um período adequado de recuperação e fisioterapia.
Fazer os exercícios sozinho é suficiente?
Nem sempre.
Um erro relativamente comum é começar exercícios encontrados na internet sem saber exatamente quais músculos estão sendo contraídos.
Alguns homens acabam fazendo força excessiva com abdômen, glúteos ou pernas sem ativar corretamente o assoalho pélvico.
Por isso, quando existe indicação, o acompanhamento com fisioterapeuta especializado em reabilitação pélvica pode ajudar a tornar o treinamento mais preciso.
Dependendo do caso, também podem ser utilizados recursos de biofeedback e outras técnicas para facilitar o aprendizado e a coordenação muscular.
Quando a fisioterapia pode não ser suficiente?
Esse é um ponto importante.
A fisioterapia pode melhorar a função muscular, mas não consegue corrigir todos os mecanismos responsáveis pela incontinência.
Em alguns pacientes existe comprometimento mais importante do mecanismo esfincteriano.
Nessas situações, mesmo com um programa adequado de reabilitação, a perda urinária pode persistir.
Alguns sinais que merecem uma avaliação mais detalhada incluem:
necessidade de vários absorventes por dia;
perda urinária importante ao caminhar ou realizar esforços;
ausência de melhora progressiva ao longo do acompanhamento;
grande impacto na atividade física, trabalho ou vida social;
perda urinária persistente após cirurgia da próstata.
Nesses casos, é importante compreender exatamente qual é o mecanismo da incontinência antes de simplesmente continuar repetindo os mesmos exercícios.
Nem toda perda urinária masculina é igual
Outro ponto fundamental é diferenciar incontinência urinária de esforço de alterações relacionadas ao funcionamento da bexiga.
Alguns homens apresentam principalmente perda ao tossir, caminhar ou realizar esforço.
Outros apresentam vontade súbita de urinar e não conseguem chegar ao banheiro a tempo.
Também existem pacientes que apresentam os dois mecanismos ao mesmo tempo.
Por isso, a avaliação deve identificar se o problema está predominantemente relacionado:
ao esfíncter urinário, à bexiga ou a uma combinação dos dois.
Essa diferenciação pode modificar completamente a estratégia de tratamento.
Como é feita a investigação?
A avaliação começa com uma história clínica detalhada.
Algumas informações são particularmente importantes:
quantidade de absorventes utilizados, situações em que ocorre a perda, volume aproximado das perdas, presença de urgência urinária, força do jato urinário, tratamentos anteriores e tempo decorrido desde a cirurgia.
Dependendo da situação, podem ser necessários exames complementares.
Entre eles podem estar urofluxometria, avaliação do resíduo urinário, cistoscopia e, em casos selecionados, estudo urodinâmico.
O objetivo é entender o mecanismo da incontinência antes de definir o próximo passo.
E se a perda persistir?

Quando a incontinência urinária de esforço masculina permanece apesar da recuperação pós-operatória e das medidas conservadoras, existem opções cirúrgicas que podem ser discutidas em casos selecionados.
Entre elas estão principalmente:
Pode ser uma opção para determinados pacientes, especialmente em situações selecionadas de incontinência de menor intensidade.
É uma das principais opções utilizadas no tratamento da incontinência urinária masculina moderada ou grave relacionada à deficiência do mecanismo esfincteriano.
A indicação depende de vários fatores e deve ser individualizada.
Você pode conhecer essas opções nas páginas sobre sling urinário masculino e esfíncter urinário artificial.
A fisioterapia faz parte do tratamento, mas o diagnóstico continua sendo fundamental
A fisioterapia pélvica é uma ferramenta importante na recuperação da continência urinária masculina, principalmente no contexto pós-operatório.
Mas o tratamento não deve ser baseado apenas na repetição indefinida de exercícios.
Quando a perda persiste, é importante responder algumas perguntas:
Qual é o mecanismo da incontinência?
Qual é a intensidade da perda?
Existe deficiência esfincteriana?
Existe também alguma alteração da bexiga?
A partir dessas respostas, é possível definir uma estratégia de tratamento adequada para cada paciente.
Quando procurar avaliação especializada?
Homens que apresentam perda urinária após cirurgia da próstata, necessidade frequente de absorventes ou incontinência que permanece por período prolongado podem se beneficiar de uma avaliação específica.
O objetivo é identificar o mecanismo da perda urinária e estabelecer uma estratégia individualizada, que pode envolver fisioterapia pélvica, acompanhamento clínico ou tratamentos cirúrgicos em casos selecionados.
Dr. Magnum Pereira é urologista com atuação em Urologia Reconstrutiva, Disfunção Miccional, Incontinência Urinária Masc
ulina, Urodinâmica, Sling Masculino e Esfíncter Urinário Artificial.
Atendimento em Manaus e São Paulo.




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