Infecção urinária recorrente: quando talvez o problema não seja uma infecção


Ardência para urinar, vontade súbita de ir ao banheiro, aumento da frequência urinária e necessidade de acordar várias vezes durante a noite são sintomas que muitas pessoas associam imediatamente à infecção urinária.
Por isso, é comum encontrar pacientes que passaram meses ou até anos utilizando diferentes antibióticos sempre que esses sintomas aparecem.
Mas existe um ponto importante: nem todo sintoma urinário significa que existe uma bactéria causando uma infecção.
Em alguns casos, o verdadeiro problema pode estar no funcionamento da bexiga.
Quando a “infecção urinária” nunca parece acabar
Um cenário relativamente frequente no consultório é o da paciente que relata episódios recorrentes de:
● vontade urgente de urinar;
● aumento da frequência urinária;
● necessidade de levantar várias vezes à noite;
● desconforto na região da bexiga;
● eventualmente, perda de urina antes de chegar ao banheiro.
Ela recebe um diagnóstico de infecção urinária, utiliza antibiótico, melhora parcialmente e, algum tempo depois, os sintomas aparecem novamente.
Quando isso acontece repetidamente, é importante investigar além da infecção.
Pode ser bexiga hiperativa
A bexiga hiperativa é uma condição caracterizada principalmente pela urgência urinária, aquela vontade súbita e difícil de controlar de ir ao banheiro.
Ela também pode provocar aumento da frequência urinária, noctúria e, em alguns pacientes, incontinência urinária de urgência.
O problema é que alguns desses sintomas podem ser confundidos com uma infecção urinária.
A diferença fundamental é que, na bexiga hiperativa, não necessariamente existe uma bactéria causando os sintomas.
Por isso, utilizar antibióticos repetidamente sem confirmar a presença de uma infecção pode não resolver o verdadeiro problema.
O diagnóstico começa ouvindo o paciente
Na avaliação dos sintomas urinários, os detalhes fazem diferença.
Não basta perguntar apenas se existe ardência ou aumento da frequência urinária.
É importante compreender:
quando os sintomas começaram, quantas vezes o paciente urina, se existe urgência, perda urinária, dificuldade para esvaziar a bexiga, sensação de resíduo, quais tratamentos já foram realizados e como esses sintomas interferem na rotina.
Dependendo do caso, também podem ser necessários exames como urina e urocultura, ultrassonografia, urofluxometria, avaliação do resíduo pós-miccional e estudo urodinâmico.

O objetivo não é simplesmente colocar um nome no problema.
É descobrir por que aquela bexiga está se comportando daquela maneira.
Nem todo paciente com os mesmos sintomas precisa do mesmo tratamento
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.
Duas pessoas podem chegar ao consultório dizendo exatamente a mesma coisa:
“Estou indo ao banheiro toda hora.”
Mas uma pode ter bexiga hiperativa.
Outra pode apresentar dificuldade para esvaziar a bexiga e estar urinando pequenas quantidades porque permanece com urina acumulada.
Outra pode realmente apresentar infecção urinária recorrente.
E outra pode ter uma alteração anatômica ou funcional do trato urinário.
O sintoma pode ser semelhante.
O tratamento, não.
Por isso, uma avaliação individualizada é fundamental antes de iniciar sucessivos medicamentos.
E se realmente for bexiga hiperativa?
Hoje existem diferentes possibilidades de tratamento.
A escolha depende da intensidade dos sintomas, das características do paciente e dos tratamentos já realizados.
Entre as possibilidades estão mudanças comportamentais, fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos específicos para controlar a bexiga e, em casos selecionados, tratamentos mais avançados.
Pacientes que não apresentam resposta adequada às terapias iniciais podem se beneficiar, por exemplo, de aplicação de toxina botulínica na bexiga ou de técnicas de neuromodulação.
A neuromodulação sacral é uma das alternativas utilizadas em pacientes cuidadosamente selecionados com determinados distúrbios do funcionamento da bexiga, especialmente quando tratamentos convencionais não proporcionaram controle satisfatório.
O objetivo não é apenas urinar menos
Para quem convive diariamente com urgência urinária, o impacto costuma ir muito além do número de vezes que vai ao banheiro.
Algumas pessoas começam a procurar o banheiro assim que chegam a qualquer lugar.
Evitam viagens mais longas.
Sentam perto da saída em reuniões, restaurantes ou cinemas.
Dormem mal porque acordam repetidamente durante a noite.
Passam a limitar a ingestão de líquidos antes de sair de casa.
Em casos mais intensos, podem inclusive deixar de realizar determinadas atividades por medo de não encontrar um banheiro a tempo.
Por isso, tratar adequadamente uma disfunção urinária significa buscar novamente liberdade, segurança e qualidade de vida.

Quando procurar uma avaliação especializada?
Se você convive com urgência urinária, infecções urinárias recorrentes, perda de urina ou outros sintomas relacionados ao funcionamento da bexiga, pode ser o momento de investigar o problema de forma mais detalhada.
O primeiro passo é entender se existe uma infecção verdadeira, uma alteração da bexiga, dificuldade de esvaziamento ou outro distúrbio urinário. A partir disso, é possível definir uma estratégia de tratamento individualizada.
Dr. Magnum Pereira é urologista com atuação em Urologia Reconstrutiva, Disfunção Miccional, Urologia Feminina, Incontinência Urinária, Urodinâmica e Neuromodulação Sacral.
Atendimento em Manaus e São Paulo.




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